quarta-feira, 26 de julho de 2023

A Contemplação meditativa como forma de nós conduzir à realidade de nossa natureza fundamental e não apenas como um alívio para os nossos sofrimentos físicos e psicológicos


 

               Em termos de “Materialismo Espiritual” ou de coisificar as práticas e métodos meditativos espirituais em meras técnicas terapêuticas para aplacar ou ao menos apaziguar os sofrimentos físicos e psicológicos nas sociedades contemporâneas, não se entende o verdadeiro potencial que essas práticas milenares e seus métodos carregam em si, mas pelo contrário, essas são reduzidas a simplismos, conveniências intelectuais desonestas, aonde apropria-se apenas de parte dessas técnicas que convém aos nossos paradigmas ou aos nossos “modus operandis” de como pensamos, lidamos e tratamos o sofrimento e as doenças humanas. Assim como extraímos um princípio ativo de uma planta fixando-nos apenas em seus efeitos isolados para compreendermos como aquele princípio ativo atua, em função disso, por outro lado, como consequência deixamos de compreender a sua relação com o todo das inter-relações desses princípios isolados com os outros princípios ativos presentes nas propriedades químicas daquela mesma planta, nisso incorremos numa descoberta parcial, porém, empalidecida do real potencial daquela planta, e o mesmo fazemos com as epistemologias e métodos contemplativos de meditação, quando atribuímos créditos a uma parte desses, reduzindo ou isolando-os apenas a técnicas que nos convém, para utilizarmos dessas para atingirmos algum tipo de relaxamento com objetivos e benefícios físicos e psicológicos.

Na velocidade e liquidez da contemporaneidade, transformamos a resolução de nossos problemas em práticas de “apertar botões”, aonde tudo têm que ser simples, funcional e prático, é “natural” e esperado que quando entramos em contato com métodos contemplativos como no caso das meditações, fiquemos tentados a reduzi-los fazendo com que esses métodos tornem-se mais próximos ao hábito de apertar botões, assim, como fazemos com tudo a nossa volta! com a espiritualidade e com a meditação obviamente não faríamos diferente não é mesmo? pois infelizmente, nessa forma de lidar com as coisas, aspira-se por um maior equilíbrio físico e mental a mesma maneira que aspira-se matar a fome com o consumo de fast-foods ou alimentos de caloria-vazia que camuflam a nossa saciedade por alimentos verdadeiramente nutritivos para o nosso corpo, o mesmo poderíamos pensar sobre os métodos e práticas meditativo-espirituais, aonde se têm as práticas e modismos que têm apenas o alcance de ir a superfície de nossa saciedade interna por saber o que realmente somos e temos as práticas e métodos (mais trabalhosos) porém, que conseguem alcançar o âmago de nossas questões.  

A palavra contemplação deriva do latim contemplatio, que corresponde ao grego theoria. Alan Wallace a esse respeito disso diz: “Ambos os termos se referem a um total zelo por revelar, esclarecer e tornar manifesta a natureza da realidade. Hoje em dia, “contemplação” geralmente significa pensar (refletir) sobre alguma coisa. Mas os sentidos originais de “contemplação” e “teoria” estavam relacionados a uma percepção direta da realidade, não pelos cinco sentidos físicos ou pelo pensamento, mas pela percepção mental”.

A ideia de percepção mental aqui colocada pelo autor citado, é entendermos que pela perspectiva Budista assim como de outras linhas de conhecimento como de algumas tradições Iogues Indianas, a mente, é compreendida como um veículo não físico (extra-físico) aonde essa é entendida como mais um dos nossos sentidos, no caso, um sentido mental, assim como temos o sentido de tato, olfato, paladar, visual, auditivo, espacial e etc; entende-se que também portamos um sentido mental. Quando nos utilizamos desse nosso “sentido mental” podemos observar os nossos pensamentos, imagens mentais, sonhos e etc; o que através das práticas contemplativas isso pode ir se aprofundando no sentido de investigarmos a nós mesmos a partir dessa percepção mental da qual utilizamos como um veículo (um instrumento) para compreendermos a nós mesmos e à realidade a nossa volta.

            Ao lidarmos com a meditação como uma forma de investigarmos a nós mesmos, essa prática ganha uma conotação diferenciada da ideia e objetivos de esta ser apenas um recurso para trazer benefícios físicos e psicológicos, pois agora, ao entendermos como uma forma de auto investigação da condição do próprio sujeito que prática a meditação, passamos então a olhar para essa como uma maneira de cultivarmos um ambiente de práticas aonde passaremos a olhar para a nossa própria humanidade, e para isso, teremos o silêncio como veículo a nos conduzir em tal jornada.

Acho importante pensarmos no aquietar do corpo físico ao sentarmos para meditar e no silêncio como um veículo de nós conduzir a uma compreensão ampliada de nós mesmos, por essa não ser uma via de apreensão da realidade e de buscas de conhecimento, pela nossa forma mais utilizada através do exercício da intelectualidade. Olhando de uma forma superficial, principalmente para aqueles (as) que nunca praticaram sistematicamente a meditação, talvez possa parecer e de certa forma soa estranho, pensarmos que o silêncio e tudo que implica nesse como a própria diminuição dos estímulos sensoriais e cognitivos frequentes nas práticas (pratyhara), ou o não fazer absolutamente nada, a não ser continuar sentado repousado sobre o silêncio e a respiração, que práticas como essas, frente a toda a nossa complexidade metodológica de estudos, epistemologias, conhecimentos adquiridos e de nossa eloquência em falar sobre esses, poderiam, se comparar a essas formas de apreensão do conhecimento e da interpretação da realidade, mas por mais estranho que isso pareça, nada mais que alguns meses de práticas bem orientadas, e vamos descobrindo e ficando verdadeiramente convencidos, dos efeitos de clareza, lucidez e sabedoria que a simples prática do parar o corpo e silenciarmos a mente, vai trazendo um enorme potencial de descobertas sobre a nossa própria natureza e o nosso papel enquanto seres nesse planeta.

Mas de onde partirmos para compreendermos que o silêncio e o ato de parar o corpo físico em meditação, poderiam transforma-se em formas de aprendermos sobre nós mesmos e sobre a realidade que nos cerca? Essa talvez seja uma das respostas mais difíceis de serem dadas, através da linguagem escrita e intelectual, e com certeza, a melhor maneira de responder a isso, seria não através de teorias mas sim através da própria prática, pelo fato da prática ser a própria pesquisa-ação para compreendermos o que a meditação é capaz de nos causar, porém, tentando explicar um pouco, entende-se nas bases epistemológicas de variadas tradições de contempladores ocidentais e orientais, que já existe essa “inteligência” ou essa “sabedoria” inerente e intrínseca em todos nós, porém, a principal causa de não termos acesso a isso, se repousa do nosso simples ato de nunca pararmos. Por estarmos habituados a pensar, a ficar fazendo coisas e flutuar com nossos comportamentos e hábitos mentais de sempre estar indo de um lugar ao outro nesse incessante e frenético perambular cognitivo, nunca abrimos espaço, para a contemplação de uma esfera do não mental, da não cognição, esse lugar de “aparente” vazio que acessamos através das práticas meditativas, mas que é portador de uma sabedoria natural que nos é inerente. Os métodos de variadas tradições contemplativas de meditação, nada mais vão fazer que nos ensinar e permitir a abrirmos esses espaços ocupados pela nossa incessante e frenética movimentação entre um pensamento e outro, para descobrirmos que em seus hiatos ou nos espaços vazios entre esses, existe também uma forma de inteligência que comumente não acessamos quando ficamos restritos apenas pelo modo e habito do pensar e do fazer sem essas pausas que a prática meditativa e o silêncio nos ensina a contemplar.

Nas epistemologias Budistas e de algumas tradições Iogues, entende-se que por detrás desses nossos entendimentos aonde se diz que existe uma natureza anterior a natureza mais evidente aos nossos processos cognitivos, essa área de “não cognição” é apenas acessada através do silenciar desses fluxos de pensamentos ou como chamam também de “desoperacionalizar” os processos mentais aonde incessantemente nos colocamos a conceituar tudo aquilo que perpassa pelos nossos sentidos e pela nossa mente. É a partir dessa natureza de práticas contemplativas silenciosas, é que vamos construindo e cultivando uma base fértil para praticarmos a meditação e os profundos métodos de investigação da consciência humana como proposto pelos Iogues Budistas e hinduístas. A esse respeito desse processo Alan Wallace diz: “A palavra sânscrita bhavana corresponde à nossa palavra “meditação” e significa literalmente “cultivo”. Meditar significa cultivar uma compreensão da realidade, um senso de genuíno bem-estar e virtude. Assim, meditação é um processo gradual de treinamento da mente e leva ao objetivo da contemplação, onde se ganha discernimento sobre a natureza da realidade”.

            Por motivos óbvios, entendemos que nas sociedades contemporâneas aonde seus “planos de consistência” ou formas de visão e relacionamentos são arquitetados pelo consumo e no culto aos bens e serviços, é natural que nesse “espírito de tempo” quando somos apresentados às práticas contemplativas de meditação, nós a transformemos em um produto e esse só de fato vingará, se estivermos assegurados que este de alguma maneira tenha um bom custo benefício. Nesse sentido, apresentar uma prática simples, aonde você pode se dedicar apenas alguns poucos minutinhos ao dia e que esse terá o potencial de reduzir o seu stress ou talvez até te levar a redução parcial ou total do uso contínuo de medicamentos, isso por si só, já é uma boa e atraente moeda de troca, porém, quando se abri o jogo e se fala os verdadeiros propósitos e fins, porém não práticos do que está por trás das práticas meditativas, isso não parece interessante para o ser humano inserido nas sociedades contemporâneas que estejam viciados em apertar botões e ter suas necessidades saciadas imediatamente ao menor click. Se um professor (a) de meditação disser que os verdadeiros propósitos dessa prática, mesmo que praticados durante várias horas por dia durante toda uma vida e que mesmo assim, não há nenhuma garantia que se realize seu real potencial e traga os benefícios tão almejados de se encontrar algum nível de paz e compreensão mais profunda sobre si mesmo e as questões que nos perpassam interna e externamente, que sujeito nos tempos de hoje, toparia tal empreitada duvidosa ou com nenhuma garantia? Para uma mente acostumada em apetar botões e ter o hábito de saciar suas necessidades instantaneamente, esse tipo de proposta é totalmente sem sentido para os tempos de hoje. Essa talvez seja uma forma simples de ilustrarmos o porque os profundos métodos e práticas de meditação são até hoje, não acessíveis para a maioria das pessoas, não por que hoje, não temos acesso a essas práticas e métodos profundos como já ocorrerá nos séculos anteriores, pelo contrário, mas sim, pela forma como nós nos relacionamos com as coisas. Em nosso tempo, além de sermos severamente bombardeados pelas informações em excesso que tanto nos aliena e nos distancia de reservarmos tempo para o cultivo do silêncio meditativo, é infelizmente “natural” que pela forma como estamos nos conduzindo em termos de hábitos de vida, que não tenhamos um mínimo de resiliência, paciência e perseverança para criarmos um terreno fértil para adentrarmos nessas formas mais ideais e profundas de prática meditativa e acabemos que por tocar apenas na superfície de suas potencialidades.

            A respeito da prática da meditação ter em sua essência uma proposta mais profunda de práticas e ao mesmo tempo a forma como nos ocidentais encontramos para adaptar essas práticas às nossas necessidades não indo ao âmago da proposta das quais esses métodos fundamentaram-se, no livro intitulado “A ciência da Meditação” de Daniel Goleman e Richard J. Davidson, os autores, fazem um quadro de níveis da forma como hoje a prática da meditação vem sendo veiculada e dizem a esse respeito o seguinte:

“A mindfulness, parte de uma antiga tradição meditativa, não se destinava a ser nenhum tipo de cura; só recentemente o método foi adaptado como um bálsamo para nossas modernas formas de angústia. O objetivo original, seguido em alguns círculos de hoje, concentra-se numa exploração da mente visando a uma alteração profunda do próprio ser. Há desse modo, dois caminhos: o profundo e o amplo. Os dois são muitas vezes confundidos, embora suas diferenças sejam enormes. Percebemos o caminho profundo representado em dois níveis: em sua forma pura, por exemplo, nas antigas linhagens do budismo teravada tal como praticado no Sudeste Asiático ou entre os iogues tibetanos. Chamamos esse tipo de prática mais intensiva de Nível 1. No Nível 2, essas tradições se distanciaram de seu papel como parte de um estilo de vida pleno – monástico ou iogue, por exemplo – e foram adaptadas a formas mais palatáveis para o Ocidente. No Nível 2, a meditação aparece em formas que deixam para trás partes da fonte asiática original, que talvez não consigam fazer a travessia de uma cultura para a outra com facilidade. Depois há as abordagens amplas. No Nível 3, um novo distanciamento tira essas mesmas práticas meditativas de seu contexto espiritual e as difunde ainda mais amplamente – como no caso da Redução do Estresse baseada em Mindfulness, ensinada atualmente em milhares de clínicas e centros médicos, e muito além. Ou a Meditação transcendental (MT), que oferece mantras sânscritos clássicos para o mundo moderno num formato acessível. As formas de meditação ainda mais amplamente acessíveis no Nível 4 são, necessariamente, as mais diluídas, de modo a se tornarem mais acessíveis para um maior número de pessoas. Atuais modismos, como a mindfulness-at-your-desck [mindfulness à mesa de trabalho], ou os aplicativos de meditação por alguns minutos, exemplificam esse nível. Prevemos também um Nível 5, que no momento existe apenas de forma fragmentária, mas que com o tempo pode muito bem crescer em quantidade de praticantes e alcance. No Nível 5, as lições que os cientistas aprenderam estudando todos os demais níveis levarão inovações e adaptações que podem ser de vasto benefício”.

            O ponto principal que quero chamar atenção nesse texto é: a meditação sempre teve como objetivo ser um veículo de aprendermos a investigar a nossa própria natureza em sua essência e não ser apenas um recurso e um fim em aliviar os nossos sofrimentos físicos e psicológicos sem com que adentremos em suas reais causas. Não é meu objetivo aqui, reproduzir alguma forma de narrativa saudosista e hegemônica como se só uma forma de prática de meditação deveria existir, pelo contrário, é compreensivo nos tempos de hoje, assim como todo conhecimento que quando chegado em determinado contexto cultural e em seu momento histórico, esse torna-se renovado pelos próprios contextos dos quais se inserem, porém, quando se perdi de vista os motivos principais pelos quais os Iogues Indus e Budistas meditavam e a amplidão e profundidade de seus métodos, aonde se confunde tais práticas com as modificações que surgem com as necessidades de nosso tempo e cultura, percebo que perdemos um grande tesouros de aprendizados a ser investigados como ainda em nossa maioria, não o fizemos, por muitas vezes estarmos praticando a meditação, apenas com fins adaptativos às nossas necessidades mais imediatas, transformando essa prática apenas em um remédio para aliviar os nossos sintomas, mas não adentrando em suas reais causas. 

Quando falamos da contemplação meditativa como uma forma ou veículo que nos ajudará a compreender a natureza humana, precisamos entender que por muitos grupos e religiões, essa construção muitas vezes se tornou dogmática e alicerçadas em crenças não passíveis de serem questionadas o que se configura um dogma irrefutável, porém, quando compreendemos a prática da meditação como um método assim como os utilizados em ciências naturais e ciências humanas, aonde estes são baseados em hipóteses a serem testadas empiricamente, compreenderemos então às metodologias por exemplo dos budistas tibetanos que ensinam como aprofundarem nessas práticas, aonde a partir dessas podemos construir um corpo de questionamentos acerca de seus efeitos e a partir do momento em que vamos adentrando nesses métodos de práticas deixados por esses ensinamentos milenares, passamos a nos relacionarmos com esses, como métodos, mas não como uma crença religiosa inquestionável e não refutável, pois, por se tratar de métodos interiores para serem praticados em nosso laboratório meditativo, esses métodos tornam-se uma verdade empiracamente verificável a partir do momento em que vamos comparando nossas práticas com o que esses ensinamentos diziam ser possível de se alcançar a partir do laboratório de práticas de mestres e mestras do passado.

Aqui temos um ponto crucial a se debater e refletir também: imaginemos que eu pratique por um tempo uma determinada técnica de meditação aonde se diz que em seu ápice, nós conseguiríamos manter a nossa mente a um tal ponto de concentração que chegaríamos a instância de ficarmos sem nenhum tipo de flutuação mental ou entradas de pensamentos no campo de nossa consciência, é como se ficássemos sem pensar em nada e que isso fosse o objetivo da prática, do método, porém, você praticou durante muitos anos e nunca se quer, esbarrou nem de perto dessa experiência meditativa. Nesse caso, isso significaria então que esse método está equivocado? ou poderia eu então, somente a partir das minhas próprias experiências dizer que o método não funciona por eu não ter alcançado o seu objetivo? e mesmo que uma centena ou até milhares de outros (as) praticantes que tentaram praticar o mesmo método do esvaziar mental e pelo fato de todos por não obterem os resultados relatados no método meditativo, poderíamos então afirmar que como a nossa e a experiência da maioria não foram exitosas, então podemos afirmar que esse método não funciona, que não passa de uma falácia, ou que é apenas uma teoria especulativa? essa postura, seria de fato honesta intelectualmente falando?

Respondendo a essas perguntas acima, eu diria que sim e que não, pois depende do contexto, pelo fato de verdadeiramente existir métodos e práticas que funcionam mas que são muito difíceis de alcançar pelos hábitos e “modus operandis” de vida que praticamos hoje (principalmente em nosso contexto social e histórico na contemporaneidade, aonde não temos tempo para nos dedicar como já aconteceu em outros contextos políticos, sociais e históricos da humanidade, aonde o terreno era mais fértil que nos tempos de hoje para tais empreitadas contemplativas) e por isso muitas vezes poucos a conseguem. Também é fato, que existem métodos puramente especulativos (e na contemporaneidade, estão cheio deles) que verdadeiramente não funcionam, fazendo com que seus experimentadores na realidade percam demasiadamente o seu próprio tempo, dinheiro e energia, dedicando a esses, infelizmente, a falta de honestidade e ética também existe em meios espirituais e religiosos que propõem métodos de especulativos da própria investigação da natureza humana, mas que na realidade não foram devidamente testados e experimentados pelos seus propositores, o que configura em palavras simples, em um autêntico caso de charlatanismos, desonestidades intelectuais e espirituais.

Ampliando mais um pouco, sobre as perguntas acima, quanto ao fato de sabermos se as práticas são autênticas ou não, se pensarmos essas questões dentro de um olhar em se fazer ciência aos moldes das chamadas ciências naturais, aonde temos como premissa averiguar o comportamento, funcionamento ou a mecânica de um determinado fenômeno e comprovando que esse é apenas um autêntico fato científico quando for passível de ser reproduzido por todos que os reproduzirem nas mesmas condições e com os mesmos protocolos, como por exemplo: sabemos aqui e em qualquer lugar do mundo que quando se toma uma substância x, essa gera vasodilatação arterial e como consequência a pressão arterial é abaixada (levando em consideração que também a exceções nesse modelos), se pensarmos que só assim, poderemos verificar fatos científicos, e a não verificação por muitos experimentadores do método de meditação que têm como consequência o não pensar em nada, está fadado ao fracasso e à “comprovação” de que esse de fato não funciona pela maioria dos praticantes não terem conseguido reproduzi-lo, enceraremos o debate e entenderemos que essa prática de fato, não é uma verdade ou um fato científico a ser constatado e como consequência não iremos mais explorá-la, pondo um fim nessa história.

Entendo que muito disso ocorrera ao longo de nossa história com relação ao crescimento e espaço que a racionalidade das ciências naturais foram alcançando devido aos seus resultados pragmáticos, o que conferiu ao discurso científico aos moldes das ciências naturais nos tempos de hoje, a narrativa dominante, aonde se entendi como a mais autêntica e confiável a ser seguida, assim como um dia já foi a narrativa religiosa, porém, da mesma forma como no passado tivemos problemas com as narrativas religiosas dogmáticas, nos tempos de hoje, também estamos tendo problemas semelhantes aonde devido a uma forma enrijecida de se entender a investigação científica, com paradigmas, epistemologias e métodos de investigação da realidade que não conseguem olhar para outras possibilidades e formas de se investigar a realidade, fazendo com que em detrimento de uma única forma de narrativa, surja o rompimento com setores de estudos que promovem interseções com objetos comuns que também são investigados pelas ciências naturais como por exemplo: a mente, a pisque, a consciência e por serem também objetos de estudos e investigação dentro das práticas religiosas e espirituais não dogmáticas, fazem verdadeiras e honestas pesquisas sobre tais temas, porém, em detrimento de uma única narrativa de como se deve investigar a ciência, infelizmente, estas outras possibilidades de narrativas acabam sendo dadas ao ridículo, ao descrédito e o pior, a morte das suas outras formas de olhar, fazendo com que essas outras narrativas tornem-se invisíveis e esquecidas ao longo do tempo.

Ao meu entender, compreendo primeiro que a discussão acima, se trata de uma ferida histórica em relação às práticas dogmáticas alicerçadas em crenças inquestionáveis dentro das religiões sectárias e segundo, por uma não sensibilidade e olhar amplo com relação à investigação dos fenômenos subjetivos quando temos como objeto de estudo o fenômeno humano, entendendo-o não ao modo materialista das ciências naturais, mas a esse em outras instâncias e com outras leis (paradigmas) envolvidas em seu estudo,  porém, se olhar para essa mesma situação de um ponto de vista de uma outra narrativa em se fazer ciência, que não a mesma das ciências naturais, mas sim em uma perspectiva que leva em consideração a subjetividades que atravessam o humano, como olhada em várias abordagens psicológicas nas ciência humanas que questionam o modos operandi das ciências naturais quando está se coloca como uma única narrativa possível em relação a comprovar fatos científicos, podemos questionar então, a partir de um outro corpo de perguntas sobre o experimento do método meditativo aonde se tem como objetivo o estado de não flutuação mental ou não pensar em nada: de todos que experimentaram, mesmo que uma minoria ou apenas uma pessoa, alguém atingiu tão objetivo? Se sim, o que diferenciou a prática dessa pessoa? Teria algum elemento característico nessa personalidade que a diferenciou dos outros? Esse praticante tinha mais tempo de treinamento? Seu treinamento era igual ao dos outros? Suas condições psicossociais tiveram alguma interferência?

Analogamente as questões acima, poderíamos pensar o seguinte: todos sabemos que qualquer um em suas condições físicas e cognitivas preservadas poderia sentar-se em frente a um piano e começar a aprender a tocar, porém, por vários fatores, sabemos que não temos garantia de que todos ou até mesmo uma das pessoas que fazerem essa empreitada de fato chegará ao ponto de um dia poder falar que realmente se sabe tocar piano, assim é o mesmo com as metodologias meditativas e espirituais, que devido a sua profundidade e dedicação, não se têm nenhuma garantia de que, se alguém empreender os esforços para tal, um dia irá conseguir, pois a muitos fatores envolvidos nesses resultados, por mais que os métodos sejam claros, a nossa relação humana e subjetiva com esses perpassam por questões muito individuais (específicas), ao mesmo tempo, isso não significa que só porque alguém, ou até mesmo todos que, em um determinado espaço de tempo que não conseguiram, podem afirmar que tais métodos não funcionem. Imagem quantas pessoas no mundo, já puderam de fato sentar em um piano e executar uma sonata de Bethoven? ou aprenderam a tocar qualquer outro tipo de instrumento com grandes habilidades?

Particularmente, não compreendo às metodologias espirituais, assim como a meditação, reduzindo-as a uma forma de método rígido e alicerçado em um tipo de discurso em busca de progresso ou evolução, aos moldes das racionalidades que regem o mundo capitalista com sua distorcida ideia sobre o que se entende acerca do que é progresso humano. Não me vinculo a essa forma de narrativa de progresso-evolução para se pensar a meditação, as Yogas, os Budismos e a espiritualidade como um todo, e até mesmo para refletir sobre a eficácia de seus métodos. O intuito maior acima, é questionar uma forma dominante de narrativa científica, que por estar presa a determinados modelos, não consegue abranger seu olhar para outras formas e possibilidades de se investigar, constatar, experimentar e vivenciar a realidade que nos cerca.

            Dezenas de outras perguntas poderiam ser colocadas aqui, porém, o ponto que considero mais importante a ser ressaltado é que, quando elegemos a prática da meditação como nosso objeto de pesquisa científica e os métodos por detrás dessas práticas, somado ao fato de serem feitos por sujeitos humanos repletos e atravessados por suas histórias e subjetividades únicas, fica difícil, para não dizer impossível, enquadrarmos esse objeto de pesquisa em um reducionismo a tal ponto que o transformaremos em um versão inadequada para que ele caiba aos moldes das ciências naturais, exatas e materialistas, porém, o resultado disso, é nada mais que a redução em relação às potencialidades de um objeto de amplas possibilidades de investigação como é o caso da meditação.

De um ponto de vista materialista, o que podemos construir a esse respeito, seria fazermos observações físicas, neurofisiológicas como as neurociências com seu arsenal tecnológico vem realizando, ao criar experimentos aonde grandes meditadores, meditadores medianos, iniciantes e não meditadores ao serem monitorados por esses aparelhos, podem-se então, observar as diferenças dos efeitos em suas fisiologias relacionado à profundidade das práticas de seus meditadores, nesse sentido, essa é uma forma de se fazer ciência aos moldes das ciências naturais com relação a meditação tendo esse como objeto de estudo a ser investigado, porém, quando falamos de métodos empíricos de práticas meditativas realizada por humanos, aonde o resultado dessas práticas estão relacionados diretamente as subjetividades (a sua história, o que esse carrega consigo) do próprio sujeito, nesse caso, não conseguimos construir um corpo de conhecimento e verificação científica, aos moldes das ciências naturais. Não há essa exatidão nesses métodos! Eles são demasiadamente humanos para serem encaixotados em tantos limites. Isso não significa que não podemos construir uma forma e uma narrativa de se fazer ciência para se verificar empiricamente esses métodos deixados pelas tradições espirituais antigas. Mas então fica a pergunta que não quer calar: como faremos para verificar um método de meditação como a técnica de chegar ao ponto de não pensarmos em nada, sem com que eu tenha que ACREDITAR na boa fé e na idoneidade do meu professor(a) que diz que tal método é verdade, que funciona, que funcionou com ele e com os mestres (as) dele, que é um fato, mas que eu apenas preciso praticar?

Aspiro não estar sendo simplista na forma como vou responder a essa pergunta, mas entendo que a resposta poderia ser construída assim: Esse método meditativo que diz que têm como objetivo o sujeito conseguir não pensar em nada, eu pratiquei durante muitas horas e não objetive esse resultado e todos aqui a minha volta não obtiveram, porém, alguém obteve? Se sim quem são essas pessoas? O que fizeram para conseguir? Como conseguiram? A partir destas perguntas, e a procura de respostas, vou lhes adiantando, que vamos descobrindo que muitas pessoas conseguiram tais feitos e por isso, como que de forma estatística, mesmo que seu percentual seja muito baixo ao ponto de chegar até mesmo a uma exceção, mas por existir alguém, fazem com que percebamos que existe a possibilidade da realização de tal método de meditação, partindo então, da perspectiva que outros também já não só o atingiram como sabem claramente falar sobre esses. Apenas e só quando, nos deparamos com um determinado caso, aonde não encontramos nenhum precedente de praticantes que realizaram os objetivos esperados de tais práticas, é que realmente podemos afirmar que tal método não funcione. Acho importante ressaltar aqui, que tudo isso deve ser feito com o critério e rigor como fazemos com as ciências naturais, mesmo que o nosso modelo epistemológico para a investigação científica, seja atravessado por outras perspectivas das quais lidam com outras variáveis devido às suas amplas possibilidades de fenômenos internos e subjetivos inerentes ao sujeito humano que vai empiricamente testar os métodos de meditações antigos. Isso de fato, nos dá uma maior margem e nos torna mais frágeis em incorremos em erros de constatações do que nas ciências naturais e materialistas que tem em seus experimentos um maior controle, pelas suas variáveis serem mais facilmente isoladas do que os experimentos e práticas científicas quando envolvem às subjetividades humanas. 

O primeiro instrutor do Buda histórico se chamava Alara Kalama, era dito que o tipo de meditação que Kalama ensinava, levava ao conhecimento direto e confiável de vidas passadas, porém, a existência das vidas passadas não era um dogma imposto aos meditadores, mas sim que os meditadores avançados através de suas próprias práticas compreendiam essa como um verdade verificável. Entendo que é justamente nesse ponto, o que chamamos de “conhecimento direto” é que estremecem os debates entre os que realizam uma forma de se fazer ciência verificável externamente por meio de marcadores biológicos ou laboratoriais passíveis de serem reproduzidos, para os que adotam essa outra forma que investigam-se as subjetividades no humano, aonde a experiência vivenciada fica restrita a subjetividade do sujeito que a vivencia.

Por meio dos recursos da estatística podemos também aferir as experiências subjetivas dos sujeitos relatando o que eles de fato vivenciaram como conhecimento direto através de suas práticas meditativas e a partir disso, chegamos a um denominador comum dessas práticas. Porém, se o problema é esse, de fato quando entendemos essas práticas (me refiro aqui especificamente às de meditação ligados as tradições budistas tibetanas), essas já tiveram seus milhares de anos de práticas para terem sido colocadas a prova por contemplativos de há mais de 20 gerações, assim como se faz até os dias atuais, que testando os métodos do senhor Buda, chegaram a conclusões semelhantes a ele através de seu próprio laboratório de práticas meditativas.  A respeito disso Alan Wallace em seu livro, Mente em Equilíbrio diz: “Entre os grandes mestres religiosos de toda a história, o Buda é o único que desencoraja a crença de que algo é verdadeiro simplesmente porque muita gente diz que é ou porque está baseado numa tradição de longa data, na autoridade das escrituras, na voz corrente, na especulação ou na reverência por um mestre. Sem dúvida a pessoa deve, procurando fazer o melhor possível, testar através de sua própria experiência o que os outros defendem e julgar por si mesma.

O Buda histórico em seu tempo, foi conhecido como o “Grande Médico”, esse título conferido a ele, diz respeito ao fato dele ter alcançado a percepção da natureza fundamental da consciência aonde através dessa encontrou um supremo estado de paz, beatitude, conquistando um discernimento através da contemplação sobre a natureza da realidade e então passou o resto da sua vida a se dedicar a ensinar outras pessoas a alcançarem esse estado de liberdade que ele mesmo alcançara. Em verdade, meu intuito aqui, como já falando em outros momentos dos escritos anteriores, não é convence-los se o Buda histórico alcançou ou não a compreensão da natureza da realidade e a partir disso, se tornou um ser desperto “Iluminado”, meu maior interesse aqui, é compreendermos que a prática sistemática da contemplação meditativa diariamente em nossas vidas, está para além dos modismos e utilitarismos da contemporaneidade, aonde transforma-se tudo em bens e serviços utilitaristas para nos distrair, nos entreter ou no máximo gerar um alívio superficial, porém, sem um compreensão mais profunda com relação aos nossos sofrimentos, semelhantes aos medicamentes antidepressivos e anti-ansiolíticos que nos anuviam de um determinado sofrimento, mas porém, não nos traz consciência para lidarmos e enfrentarmos psiquicamente com as suas causas, suas raízes. Essa não é a motivação principal das práticas meditativas, elas não são realizadas para o fim de nos entorpecer, nos alienar de nossa condição ou para nos trazer algum tipo de alívio imediato, mas pelo contrário, elas tem como fim, a profunda investigação da nossa verdadeira natureza e das reais causas daquilo que nos traz sofrimento, nos impedindo de enxergamos o que de fato estamos sendo e somos enquanto seres em sua dimensão ampla. 

Por questões do “espirito do nosso tempo” na contemporaneidade, é compreensível que a grande maioria das pessoas, não irão se auto-investigarem através das práticas meditativas com a mesma dedicação aos moldes dos monastérios e templos antigos, pelo fato, que nos dias de hoje, a grande maioria de nós, não termos esse tempo disponível nos sobrando para tamanha empreitada e dedicação, nesse sentido, é importante que contemplemos que formas mais superficiais de práticas sejam ensinadas mas que possam também de alguma maneira trazer benefícios, não há nada de errado nisso, porém, se nos implicarmos na prática da meditação por mais simples e menos tempo que tenhamos, porém, fazendo essa com o espírito de apenas aliviarmos aquilo que está nos incomodando, mantendo-nos apenas na superfície dos fatos, estaremos infelizmente diante de uma prática muito reduzida de seus reais benefícios se comparada com a potencialidade que essa nos reserva em praticarmos a meditação com a motivação de através dessa, investigarmos a natureza humana (de quem somos nós), com o espírito sincero, encorajado, livre e intelectualmente honesto, para empreender tal jornada.

                                                                                                                 @professormichelalves

Não tendo provas contundentes quanto a natureza da mente pela via biológica, a introspecção se torna uma via possível para se contribuir nestas investigações


 

Um ponto relevante a ser pensando nesse velho e canônico debate entre a dualidade de substâncias que aqui vou denominar como uma perspectiva dual-mentalista que defende uma causação descendente aonde os fenômenos biológicos são redutíveis e reflexo da expressão de fenômenos mentais de origem não biológica, dos materialistas não dualistas que defendem a não existência da dualidade cérebro-mente, aonde os fenômenos mentais são redutíveis e subordinados ao fenômenos biológicos, corrente hegemônica pelas neurociências em nosso tempo e dos não dualistas que entendem que o fenômeno biológico e o fenômeno mental coexistem de forma não separada, mas porém que nenhum deles é uma forma redutível uma da outra, como é o caso dos pesquisadores da neurofenomenologia, a discussão é: da mesma forma que os dualistas mentalistas não conseguem provar a maneira de sua epistémologia a existência da mente enquanto um fenômeno não biológico o que lhes conferem ao julgo dos materialistas não duais e das ciências naturais como um todo, a sentença de uma prática de pseudociência, por não se aceitar a contemplação dos fenômenos mentais ao crivo de análises subjetivas e humanas e ao mesmo tempo que os materialistas não-duais também não conseguem provar de forma consistente a partir de suas visões epistémicas, o que de fato são os fenômenos mentais enquanto providos de estruturas mensuráveis como se consegue fazer com os fenômenos físicos e biológicos identificando suas estruturas e formas, quantificando-as, tendo os seus achados, apenas a expressão de uma redução do que acontece na mente e as repercussões neurais disso no cérebro, o que não configura também do ponto de vista materialista, uma prova de se explicar o fenômeno mental com um ente mensurável, mas sim apenas enquanto uma expressão, encontramo-nos em um impasse epistemológico, pois em ambas as formas, dos duais mentalistas e dos não duais materialistas, nenhuma perspectiva é satisfatoriamente convincente uma para a outro e no que tange aos duais materialistas, nem para eles mesmos.

Já a corrente da neurofenomenologia, classificando-os aqui como não dualistas mas que entendem a natureza da mente enquanto uma interface entre fenômenos biológicos e fenômenos mentais que coexistem e por isso não redutíveis um ao outro como há mais de 400 anos vem se fazendo pelas ciências naturais separando-a sistematicamente das ciências da mente advogada por diferentes tradições espirituais como é o caso do Budismo Tibetano, entende-se aqui, ser uma via possível para a compreensão e cooperação entre essas distintas e antagônicas visões epistémicas dos dualistas mentalistas e dos não dualistas materialistas, porém, um ponto importante a ser levantado, é que o uso da introspecção-meditativa além de ter sido marginalizado das práticas epistémicas pela filosofia, pelas psicologias e pelas ciências naturais nos últimos séculos, essa forma de se investigar ciência em nosso tempo, encontra-se defasada com relação aos modus operandis se comparados ao métodos científico cartesiano que elegemos como hegemônico, o que nos conferi nesse contexto, uma “novo-velho” campo de possibilidades que deveria ser mais explorado e investigado pela ciências naturais e as ciências humanas como um todo.

 Acreditar na maneira reducionista e intelectualmente desonesta que o que chamamos de mente, pensamentos ou espírito, se reduz apenas à organizações neurais que são estimuladas em nosso cérebro quando pensamos por exemplo, é claramente uma afirmação pseudocientífica por parte das ciências naturais em nosso tempo, quando alguns neurocientistas em alguns casos, ousam afirmar que já se entendem as origens biológico-causais dos fenômenos mentais. Definitivamente, não podemos ainda inferir tal juízo! A constatação desses movimentos neurais na matéria densa do cérebro averiguando repercussões nos quadros de humor e nos comportamentos dos sujeitos é um fato científico sim! mas é de longe uma prova factual e conclusiva, aonde podemos afirmar que correlatos neurais são a gênese estruturadora e a própria mecânica conclusiva daquilo que vivenciamos através dos fenômenos psíquico-mentais, como os pensamentos, a imaginação e às amplas faculdades que gravitam em nosso espectro de mente.

O estar humano, o pensamento e o imagético por trás das nossas experiências tão naturalmente e fundamentalmente corriqueiras, não podem ser explicadas cabalmente com tamanha redução diante das fenomenologias e subjetividades humanas. Talvez, quando tentamos reduzir nossa humanidade e a vida como um todo à aspectos estritamente materiais, e apenas a isso, compreendo que essa forma de empreitada, possa nascer ou seja motivada muito mais pela necessidade humana de reduzir e amordaçar a realidade às suas próprias limitações e necessidades de controle com explicações intelectuais reducionistas do que adotarmos métodos mais abrangentes que contemplem visões sejam elas materialistas ou mentalistas para que construamos investigações científicas correlacionando cooperativamente distintas visões epistemológicas.

Algumas perguntas que talvez fossem pertinentes a serem feitas: Se entendermos que a manifestação de elementos químicos em nossos circuitos neurais tem como subproduto a geração de fenômenos mentais como o pensamento, a imaginação, ou as faculdades do psiquismo mais complexas, porque não deveríamos pensar que existe também, uma forma de inteligência semelhante ao que frequentamos internamente como os nossos pensamentos ou algo que se assemelhe a todo esse aparato imagético que vivenciamos como seres sencientes, nos outros elementos e reinos da natureza como por exemplo: na água, nos minerais, ou em outras substâncias inorgânicas e orgânicas? Entender que aquilo que chamamos de mente-consciência ser um subproduto de correlatos neurais ou interações físico-químicas de partículas físicas, nos abre precedente para entendermos que a realidade para além só do espectro humano, também fervilha de coisas inteligentes como assim a entendemos. Por outro lado, é estranho pensarmos nisso, porque quando o assunto gravita dentro do espectro humano, pensarmos na complexidade dos fenômenos mentais, não nos parece estranho acharmos que essas são decorrentes de bases materiais físico-biológicas da vida, tão propagada e difundida pelas ciências naturais, pela física clássica (não obviamente pela mecânica quântica), pela química e pela biologia, sendo essas entidades físicas, a fonte geradora da nossa realidade mental, mas quando revertemos esse ponto de vista e o contrário é expresso, refutamos como muita gratuidade e veemência, quando por exemplo, não se aceitando ou dando a devida importância nas pesquisas sobre as memórias da água como as do Dr. Jean Luc Montagnier e de todos os achados empíricos contundentes das práticas da Medicina Homeopática, como indícios e a possibilidade de indicar inteligências amplas e complexas nesse “simples” elemento da natureza como é no caso da água? Estaríamos aqui, novamente repetindo os erros de uma mentalidade antropocêntrica em nossa maneira de se fazer ciência, negligenciando as amplas formas de expressão dos fenômenos mentais, mas reduzindo-os apenas a espécie humana?

Um ponto que fique bem claro, quando partirmos de uma perspectiva neurofenomenológica ou mesmo não-dual mentalista, é entender que a manifestação inteligente da vida no espectro mental, não é algo que se restringe ao humano, pois entende-se que os outros seres, reinos ou elementos da natureza, também são providos de formas de inteligência que são anteriores a sua materialidade física em outras palavras: existe de alguma forma inteligente, alguma maneira de se “relacionar-pensar”, entre os minerais, as plantas, os fungos, as bactérias, os animais, assim como entre nós. Quando me refiro em formas de se “pensar” gostaria que o leitor, não lesse isso, como algo restrito a cognição e a experiência humana como a conhecemos, me refiro em um sentido mais amplo de uma forma de “inteligência” pré-existente também em toda a forma de manifestação da vida. Podemos contemplar um pouco disso, quando por exemplo, observamos como os líquens povoam regiões inóspitas, criando terreno fértil para o surgimento de plantas ou do reino vegetal como um todo, assim como quando olhamos para uma rede complexa de aminoácidos que atuam de maneira extremamente organizada, aonde esses se agrupam para formar proteínas e que se organizam para formar órgãos e tecidos, criando sistemas biológicos cada vez mais complexos. Se tudo isso, não for uma espécie de inteligência com essas formas de organizações “comportamentos” orgânicos, micro e macro estruturados e às inter-relações de cooperação e interdependência na natureza como um todo e ao mesmo tempo, se pensarmos em todos os reinos: animais, minerais, vegetais e os demais reinos que poderíamos classificar aqui, como não inteligentes, que nome daríamos a esses fenômenos? São apenas meras relações causais da expressão físico-químico-biológica da interação entre esses distintos entes da natureza desprovidos de fenômenos mentais inteligentes?

@professormichelalves

O problema mente-cérebro, interacionismo cartesiano e algumas teses correntes sobre a relação mente-cérebro


 

Nesse ponto, essa pesquisa traz um questão bastante canônica e desgastada em relação ao problema mente-cérebro, ou o dualismo de substâncias entre uma instância aonde a realidade é incidida pelo mundo como um substância material e extensa e o outro mundo pensante que se configura como uma substância imaterial e inextensa (interacionismo cartesiano) o que segundo para Searle (1992): “o uso desse tipo de vocabulário antiquado conduz a uma discussão de tal forma espúria que muitos dos chamados problemas filosóficos da relação mente-corpo seriam na realidade pseudoproblemas”, o que na realidade, não se entende assim nessa pesquisa! Tratar esse assunto como encerrado pelo fato de não podermos provar até o presente momento, que através de argumentos biológicos materiais que uma imagem que vemos é a explicação de um determinado correlato neural em nosso cérebro, mesmo que tal região cerebral ou correlato neural fora identificado no instante que o sujeito diz estar vendo ou visualizando mentalmente uma determinada imagem, isso não prova a existência do fenômeno mental da imagem em si, como diria o neurocientista Christof Koch que realiza pesquisas entre correlatos neurais da consciência: “As características dos estados cerebrais e dos estados fenomenais parecem muito diferentes para serem completamente redutíveis uma à outra. Desconfio que a conexão é mais complexa do que tradicionalmente se imagina. Por ora, é melhor manter a mente aberta com relação a este assunto e se concentrar em identificar os correlatos da consciência no cérebro (KOCH, 2004, p. 18-9)”.

No extremo oposto do dualismo de substâncias, temos os eliminatismo ou materialismo eliminativo que diz que as psicologias folclóricas trabalham com categorizações falsas, devido a termos herdados do passado e que precisam ser eliminados para um avanço na compreensão da relação cérebro-mente, no entanto, como afirma (WALLACE, 2011): “nunca se aprendeu nada sobre a verdadeira natureza da experiência subjetiva estudando apenas o cérebro. Quando observamos objetivamente estados cerebrais, eles não exibem nenhuma das características dos estados mentais, e quando observamos subjetivamente estados mentais, eles não exibem nenhuma das características de atividade cerebral”, o que temos de solidez para quem de alguma forma, trata o materialismo-científico (nesse contexto) quase como uma espécie de convicção ou fé religiosa, é dizer que através das neurociências pudemos identificar ou mapear correlações neurais em um cérebro que está passando por experiências sensoriais através dos cincos sentidos, assim como das experiências subjetivas que esse pode construir através do exercício voluntário de gerar pensamentos e imagens mentais, ou qualquer tipo de fenômeno mental que esteja sendo vivenciado.

Hoje é possível identificarmos as correlações neurais desses fenômenos graças ao avanço tecnológico (fato, notável), mas como já supracitado, nenhuma base temos para afirmar, que os fenômenos mentais registrados no cérebro é o subproduto dessas relações biológicas que ocorrem nele, podendo afirmar que a gênese dos fenômenos mentais são decorrentes de processos fisiológico-biológicos. Afirmar isso, é o mesmo que acreditarmos que todo tipo de fenômeno mental ou visual que experimentamos, seja a nível interno-subjetivo ou seja devido a um estímulo sensorial do ambiente, foi criado por essas correntes neurais biológicas, que quando se agrupam de determinadas formas, criam todas as paisagens que observamos ou de todos os fenômenos mentais que possamos contemplar. Definitivamente, com o que temos, não é possível afirmarmos tal tipo de coisa! Fazer isso, seria proferir, uma espécie de convicção ou fé religiosa-dogmática, porém, ancorada numa argumentação pseudocientífica.

Outro corrente dentro do debate epistemológico mente-cérebro, são os que defendem a ideia de um dualismo de propriedades. Nesse corrente, defende-se que as propriedades não podem como princípio, ser reduzidas a propriedades físicas ou cerebrais, porém, sustenta-se que em uma instância última da realidade, tudo é parte da natureza física, o que os diferem nesse aspecto, se comparados aos dualistas de substâncias. No enredo dos dualistas de propriedades, separa-se duas posições expressivas que tem como distinção, uma que defende a causação mental ou causação descendente, aonde entende-se que as propriedades mentais tenham manifestação causal no mundo físico e a outra abordagem dos epifenômenalistas que defendem que as propriedades mentais seriam epifenômenos, sendo esses incapazes de qualquer tipo de poder causal (JACKSON, 1982).

Existem outras formas redutíveis de fisicalismo ou materialismo, aonde por exemplo, uma teoria explica fenômenos mentais em termos de condições neurais ou mesmo cria-se reduções interteóricas do vocabulário explicativo mental em termos de um vocabulário neural por vias de leis de ponte ou funcionalizar propriedades mentais em termos de termos de sua estrutura causal física. Além dessas posições, existem teorias identitárias que defendem a ideia de que processos mentais seriam idênticos a processos neurais (C. MOGRABI, J. C. MOGRABI, J. FERNANDEZ. 2014). Além de outras variantes, as teorias identitárias podem ser classificadas em duas famílias de posições: a identidade de tipo (Lewis, 1966) e a identidade de ocorrência (token) (Kim, 1966). No primeiro caso, cria-se uma identidade estável entre um tipo mental e um tipo físico. No entanto, o argumento da múltipla realizabilidade (Fodor,1974; Putnam 1967) – a defesa da possibilidade de que um estado mental (funcional) possa ser realizado por diversos estados cerebrais – coloca o argumento da identidade de tipo em maus lençóis. No caso da identidade de ocorrência, esse problema parece estar, pelo menos, mitigado, já que as identidades se dariam entre ocorrências individuais de estados cerebrais e mentais. Muitos funcionalistas acabam por aderir a essa posição, visto que visões mais algorítmicas de funcionalismo acreditam que uma função pode ser instanciada, por exemplo, tanto in silico como in vivo. Assim, para tal linha de argumentação, o suporte material que sustenta o algoritmo não faria grande diferencia. Tal postura pode ate ser entendida como uma forma de dualismo, já que a mente pode ser vista como uma estrutura meramente formal (C. MOGRABI, J. C. MOGRABI, J. FERNANDEZ. 2014).

Mais promissoras são as pesquisas interdisciplinares que coadunam filosofia da mente e da ciência com neuropsicologia, neurociência e ciência cognitiva, entendendo que qualquer capacidade mental deve ter um correlato neural. A ideia de correlatos neurais pode ter várias versões e variações; entretanto, algumas dessas versões não se comprometem com uma postura necessariamente identitaria, o que é uma vantagem. Trata-se, aqui, de encontrar o conjunto mínimo de eventos e processos cerebrais que possa ser correlacionado a uma capacidade mental como seu substrato neural. Variações dessa ideia se dispõem fundamentalmente em um eixo no qual posturas mais localizacionistas (Zeki et al., 1991) ou globalistas/conexionistas (Baars, 1988; Mesulam, 2012) são postuladas. Por localizacionismo, entende-se, aqui, o poder de imputar a áreas bem determinadas do cérebro capacidades distintas e especificas. Por globalismo/conexionismo, considera-se a possibilidade de que as correlações sejam estabelecidas entre capacidades funcionais e áreas em interação e reverberação informativa (C. MOGRABI, J. C. MOGRABI, J. FERNANDEZ. 2014).

Dentro da metáfora da mente como um computador, o cognitivismo estrito sugeria que a mente funcionaria tal como um software, que poderia ser instalado em diferentes suportes, não importando as características do hardware (i. e., o corpo e o cérebro) no qual funcionava. Essa perspectiva, considerada ad extremum, cai em uma posição dualista, em que a mente e um conjunto de regras formais que pode ser instanciado independentemente de sua base orgânica (SEARLE, 1980). Em oposição a essa perspectiva, acompanha-se a incorporação nas neurociências de um paradigma biológico que considera todos os processos cognitivos como calcados em uma base material (o cérebro) e motivados em última instancia por questões referentes a adaptação do organismo (C. MOGRABI, J. C. MOGRABI, J. FERNANDEZ. 2014).

@professormichelalves

A negação da realidade mental: estamos cometendo um atentado contra a própria vida e não só a vida humana, mas a vida de todos os seres?


 

Alan Wallace em seu livro, Mente em Equilíbrio diz: “Com a rejeição do uso científico da introspecção, a psicologia acadêmica no mundo de língua inglesa deslocou-se para o behaviorismo, que fez tudo que podia para eliminar referências a estados e processos subjetivamente experimentados. John B. Watson (1878 – 1958), um dos pioneiros do behaviorismo americano, declarou que a psicologia não devia ser mais a ciência da vida mental, como William James a tinha definido. Como “um ramo experimental puramente objetivo da ciência natural”, dizia ele, a psicologia “jamais deveria usar os termos consciência, estados mentais, mente, essência, introspectivamente verificável, imaginário e assim por diante”. Este tabu contra e experiência subjetiva foi motivado, em parte, pela associação da mente (ou alma) com religião e, em parte, pela natureza aparentemente não física dos eventos mentais. A desconfiança dos cientistas diante de qualquer coisa religiosa é bastante compreensível, pois para eles a religião exige uma crença inquestionável na autoridade. A ciência, pelo contrário, coloca sua prioridade básica no conhecimento experimental. Eis o atrito. Pois a evidência experimental, para ser encarada como evidência empírica, tinha de ser verificável, acessível a inúmeros observadores competentes. Mas os processos mentais só podem ser observados internamente. Não podem ser detectados por nenhum observador externo ou por nenhum dos instrumentos da ciência, que são concebidos para medir todos os tipos conhecidos de realidades físicas. Consequentemente, os psicólogos se encontraram num dilema: deviam perseverar no espírito do empirismo, que estivera na raiz do progresso científico nos últimos trezentos anos? Ou deviam se colar à observação de objetos físicos, externos, o domínio da realidade onde a ciência desfrutara tanto progresso desde a época de Galileu? Optaram pelo segundo foco, mas estreito. Os behavioristas preferiram estudar o comportamento humano e não quaisquer misteriosas entidades interiores, espirituais, mentais, que não pareciam ter propriedades físicas próprias. O behaviorismo, pelo menos como foi desenvolvido na psicologia da pesquisa acadêmica, preocupava-se basicamente em encontrar meios eficientes de compreender a mente humana por meio do comportamento, em vez de inferir conclusões sobre a natureza real dos processos mentais. Era como tentar compreender a anatomia e a fisiologia humanas sem jamais executar autópsias – que eram proibidas na medicina medieval. A maioria dos behavioristas tinha bastante consciência dos estados mentais, mas achava que a psicologia se desenvolveria mais depressa e com menos digressões se deixasse a introspecção de lado por algum tempo. Contudo, behavioristas mais radicais, começando com Watson, deram um passo adicional ao declarar que os processos mentais, em geral, e a consciência, em particular, não existiam absolutamente – simplesmente porque não tinham propriedades físicas! Era um caso nítido de rejeição, em que um compromisso ideológico com o materialismo invalidava a evidência experimental que não tivesse de acordo com uma crença. Pior ainda, os behavioristas identificavam o comportamento com os próprios processos psicológicos. Os robôs exibem um comportamento, mas não estão conscientes e não têm experiências subjetivas. Os homens também exibem um comportamento; por mais escrupulosa, no entanto, que seja sua avaliação, o comportamento físico por si mesmo não fornece evidência sequer da existência das realidades mentais que todos nós vivenciamos. A afirmação de que a experiência subjetiva pode ser reduzida a um comportamento objetivo não passa de desonestidade intelectual ou de profunda confusão”.

Quando vemos essa forma de reducionismo por parte dos Behavioristas, aonde restringem as experiências internas e subjetivas humanas a comportamentos condicionados consequentes aos estímulos ambientais, é o mesmo que entendermos que somos máquinas que recebem e operam através de estímulos ou inputs-ambientais, dos quais nosso software (nossos estímulos sensoriais ao ambiente) é o que programa os nossos comportamentos e o nosso hardware (a nossa maquinaria biológica) preparada materialmente para receber a realidade ambiental, sendo essas instâncias a única forma de contato com os fenômenos da realidade que nos cerca e da qual estamos limitados a viver através dos estímulos ambientais que recebemos.

A mente, a psique e a vida sendo enxergada por esse prisma, é a completa negação de toda forma de subjetividade ou vida interna que se processa dentro dos seres humanos. Não há nada de errado do ponto de vista científico-metodológico, investigarmos os fenômenos da realidade a partir de uma determinada base epistémica para então, a partir dessa, encontrarmos relações causais através do mapeamento de estímulos ambientais provocadores de respostas sensoriais ou comportamentais, assim como também, não há nada de errado na investigação científica praticada pelas neurociências, quando essas buscam compreender qual o caminho neural é ativado quando somos estimulados por fatores internos como: emoções, estados de humor, pensamentos e etc; porém, quando compreendemos que o própria explicação de um comportamento entendendo a sua mecânica, assim como compreender os estímulos cerebrais que dão nascimento a determinados sentimentos e emoções e a partir disso, afirmar-se que tudo que está ligada ao espectro do comportamento, nasce e morre do próprio comportamento, não existindo uma vida interna que pulsa e que é anterior aos estímulos geradores de ações comportamentais, assim, como entender que determinados circuitos neurais desencadeadores de emoções e estados de humor específicos é a explicação causal da origem do ente pensante, vivente, inteligente; é o mesmo que acreditarmos que todo os fenômenos que tangem ao que chamamos de mente-consciência, como os pensamentos, o próprio uso da imaginação, só existe enquanto fenômenos reais em decorrência destes nexos-causais restritos aos comportamentos ou aos movimentos neurais.

Pensar dessa maneira é uma forma tão limitada e higienizadora de enxergar a vida, que todo esse terreno básico e natural que é estarmos vivos dentro dessa experiência fantástica que é poder pensar e imaginar livremente com a nossa mente-consciência, a partir dessas denominações da mente como algo estritamente fechada ao campo biológico-comportamental, nós reduzimos essa experiência natural e espontânea a qual permeia todos nós enquanto seres sencientes, em meros constructos explicativos aonde as movimentações de elementos químico-biológicos que circundam pelo nosso cérebro e os nossos comportamentos no caso para os behavioristas, tornam-se a explicação objetiva do que é a vida e principalmente a vida inteligente-pensante. Estamos aqui, ao meu entender, cometendo um atentado contra a própria vida e não só a vida humana, mas a vida de todos os seres. Nessa perspectiva materialista da vida, estamos acreditando que o sentir e o emocionar-se humano, são apenas um emaranhado movimento de correlações neurais químico-biológicas de determinadas partes funcionais do nosso cérebro, assim como é reduzida toda a subjetividade humana e o que significa ser e estar humano em suas questões internas, existenciais, anseios, sonhos e ideias, há apenas explicações comportamentais.

A perspectiva materialista adotada da vida pelos behavioristas e pelos neurocientistas ortodoxos, parte da ideia de causação ascendente, aonde a vida mental (além de não existir para no caso dos Behavioristas), para os que aceitam a sua existência, essa é um subproduto da vida material, ou seja, são os elementos físico-químicos é que geram a vida mental como a conhecemos. Na perspectiva da causação descendente (poder causal da consciência sobre a matéria e não o contrário), essa defendida pelos visões epistémicas espirituais como no caso dos Budismos e de boa parte das distintas tradições Iogues Indianas e também por parte de uma comunidade científica heterodoxa dentro da mecânica quântica, a mente-consciência é que impera sobre as realidade materiais (físico-biológico-química), nesse sentido, entende-se que por detrás das aparências materiais que observamos, existe um inteligência pensante preexistente a ela.

@professormichelalves

NÃO TÍNHAMOS BONS MODELOS EPISTÊMICOS E METODOLÓGICOS NAS CIÊNCIAS ESPIRITUAIS, É PRECISO ENTÃO QUE CRIEMOS NOVAS EPISTEMOLOGIAS MAS NÃO SENDO SUBORDINADAS ÀS CIÊNCIAS NATURAIS

 


Alan Wallace em seu livro Mente em Equilíbrio diz: “A segunda razão fundamental pela qual a introspecção foi rejeitada pela comunidade científica foi que ela ia contra o veio da pesquisa científica nos trezentos anos anteriores, que tinha se concentrado de forma consistente em realidades objetivas, físicas, quantitativas. Nas décadas iniciais do século XX, as ciências naturais tinham se mostrado tão bem-sucedidas – especialmente quando comparadas com a religião e a filosofia que um número crescente de pessoas identificavam o mundo natural com o mundo físico. Em outras palavras, as únicas coisas que consideravam real eram as coisas que os cientistas podiam medir: isto é, entidades e processos físicos. Qualquer outra coisa era considerada “sobrenatural” e, portanto, não existente ou pelo o menos irrelevante para a pesquisa científica”.

Esse caminho tomado pela ciências naturais foi de extrema necessidade, frente ao zeitgeist (espírito do tempo) da idade média, aonde se tinha uma visão da realidade totalmente alicerçada pelo invisível com seus entes divinos e espirituais que por detrás das manifestações do mundo fenomênico, eram as próprias causas e explicações para essas. A legitimidade desmedida e desprovida de critérios para a investigação de fenômenos metafísico-espirituais, fez com que muitas das práticas religiosas não tivessem uma adequada criticidade fazendo com que o terreno destas incursões se tornasse fértil para práticas ineficientes, especulativas e charlatonas, porém, os paradigmas que alicerçaram a visão do mundo científico em todo o século XIX e em certa medida até hoje no século XXI, não estabelecera uma prudente parceria intelectual com as correntes de pesquisadores e epistemologias que se colocaram a investigar todo e qualquer tipo de fenômeno que fosse de procedência metafísica, a título de exemplos, é só vermos o quanto os parapsicólogos e a corrente das psicoterapias transpessoais ficaram a margem dos debates científicos e acadêmicos ao redor do mundo.

É interessante observar a força de alguns pesquisadores dentro da física quântica de envergadura mais determinística, procurando criar instrumentos de precisão para sondar o cada vez menor, microuniverso atômico das partículas mais rudimentares, procurando esses encontrar uma unidade atômica fundamental propositora de todas as demais micro e macro partículas do universo físico sondável. Para investigadores materialistas, não cabe o questionamento que os seus “modos operandis” pela procura incessante em provas materiais, seja apenas um tipo de método de investigação da realidade, isto está fora de cogitação! porém, existem outros mais, como por exemplo a possibilidade de investigarmos a realidade das coisas pela própria via da introspecção sondando a natureza da mente através do silêncio meditativo. Acredito que com o tempo, assim como a física quântica vem trazendo ao debate acadêmico sobre a unificação da física com a consciência, as neurociências através da constatação das repercussões neurais e estruturais em nosso cérebro devido à prática de determinadas técnicas de meditação, uma emergente pesquisa científica alicerçada em uma abordagem epistémica que se utilizada da introspecção como possibilidade metodológica para também se investigar fenômenos pertencentes ao amplo espectro disponíveis em nossa realidade, torna-se um potencial emergente para novas abordagens para as pesquisas no século XXI; como diz Pierre Weill em seu livro, A consciência cósmica: “enquanto os cientistas observam o elétron, os Iogues se tornam o próprio elétron”.

Em nossos tempos, as ciências naturais enquanto narrativa hegemônica continua apenas interessada em encontrar provas materiais de entes dos quais ainda são invisíveis aos nossos sentidos e aos nossos instrumentos de medição, aonde partimos de uma premissa que aquilo que não se consegue mensurar ou quantificar ou é porque não encontramos instrumentos para isso ou de fato é porque não existe! portanto, não há abertura para pensar que existem outros meios de investigar a realidade, assim como questionar a própria premissa de que todo e qualquer tipo de fenômeno natural seja da ordem física-objetiva. Isso nos abre precedente para pensarmos que não existe possibilidade de investigarmos aos moldes das ciências naturais fenômenos que intrinsecamente não sejam materiais: como os nossos pensamentos, sentimentos, emoções, imaginação, a compaixão e etc. Quando investigamos o amplo espectro de fenômenos da mente anteriormente citados, a única maneira de investigarmos esses ao moldes das ciências naturais, é encontrarmos as correlações desses fenômenos com algum tipo de repercussão em nosso corpo ou aparatos sensoriais como as neurociências contemplativas veem fazendo, encontrando quais são correlações neurais em nosso cérebro enquanto estamos meditando, porém, não existe nesse procedimento investigativo, uma premissa aonde investiga os fenômenos mentais a partir da própria mente de um observador que contempla os fenômenos de sua mente. Exemplo, poderíamos investigar as correlações neurais em um cérebro de uma pessoa que diz estar passando por uma experiência aonde essa experimenta o sentimento de compaixão por uma pessoa e identificarmos o que acontece em seu cérebro quando ela diz estar vivenciando isso, mas não utilizamos metodologias que investigam os fenômenos mentais da compaixão, a partir do próprio sujeito que a vivencia experimentando-a. Metodologias epistémicas que se predispõem a investigar fenômenos da mente a partir do próprio observador que a experiência é claramente uma forma distinta no que diz respeito a método, epistemologia e paradigma com relação ao método cartesiano-materialista que adotamos para as ciências duras ou ciências da natureza para se investigar a realidade. Estamos falando aqui, de métodos genuinamente humanos, pois os instrumentos de “medição” aqui, não são máquinas ou entendes passíveis de serem medidos ou quantificados por instrumentos, mas sim o próprio sujeito humano através da experiência enquanto observador dos fenômenos que testemunhará os seus achados. O colhimento das experiências de relatos e os instrumentos de análises estatísticas são ainda muito bem vindos nesse tipo de metodologia, falarei disso com mais profundidade no capítulo sobre: “A proposta de uma metodologia científica da introspecção”.

   Não há por parte das epistemologias cientificas como a praticamos, o interesse de investigar qualquer tipo de fenômeno da realidade pelo contato com esses diretamente utilizando-se de práticas ou métodos de introspecção meditativa, porém, entendo que nesse momento, estamos ainda passando por um processo de transição, aonde da mesma maneira que no passado freamos a tendência ao excesso da religiosidade acrítica que de forma alguma configurava uma metodologia espiritual baseada na auto experimentação, hoje, estamos começando a compreender que para investigar alguns fenômenos dos quais a sua mecânica é insondável aos nossos instrumentos de medição como o pensamento, a imaginação e as muitas e variadas formas de manifestação da mente, teremos que transcender alguns dogmas  científico-materialistas que ainda se baseiam em princípios biológicos dependentes a princípios físicos de uma física do século XIX com suas noções de matéria já refutadas pela mecânica quântica do século XX, mas que ainda se mantém como ídolos, por isso se configurando em uma forma de dogma. Aprofundarei sobre isso no capítulo: “Os ídolos e às subordinações epistémicas dentro das ciências naturais”. Esse transcender da nossa noção de materialidade, não é negligenciar a ciência e seus métodos experimentais, mas sim, propor outros métodos e abordagens, assim como exaustivamente vem sendo explicitado aqui através da introspecção meditativa.

A título de demonstração, para que nós façamos perguntas importantes sobre essas outras formas de sondar a natureza da mente via introspecção meditativa, peguemos como exemplo primeiro, o que vem sendo alvo de investigação dentro das neurociências contemplativas, aonde se percebe que determinados métodos de meditação são capazes de gerar verdadeiras alterações estruturais a nível de cérebro, assim como alterações de funcionamento de determinadas vias neurais tendo como consequência a mudança de determinados comportamentos. A partir desses exemplos, quero propor que façamos outras formas de perguntas ou hipóteses que não fiquem restritas apenas a investigação material como mecanismo epistémico único para se investigar experimentos científicos em relação aos fenômenos mentais estudados. No livro A Ciência da Meditação, Daniel Goleman e Richard J. Davidson se referindo aos impactos de determinadas práticas meditativas em relação a aspectos neurofisiológicos no cérebro, eles dizem: “Quando a raiva ou a ansiedade é disparada, a amígdala impulsiona os circuitos pré-frontais, à medida que essas emoções perturbadoras atingem seu pico, um sequestro amigdalar paralisa a função executiva. Mas, quando assumimos o controle ativo de nossa atenção, como quando meditamos, mobilizamos esses circuitos pré-frontais e a amígdala se acalma. Richard e sua equipe encontraram essa amígdala silenciosa tanto em meditadores vipassana experientes como, com sugestões do mesmo padrão, embora menos forte, em pessoas após treinamento em MBSR (mindfulness based stress reduction). A carreira científica de Richard rastreou o local da atenção à medida que se movia gradualmente cérebro acima. Na década de 1980, ele ajudou a fundar a neurociência afetiva, campo que estuda os circuitos emocionais no mesencéfalo e como as emoções impelem e atraem a atenção. Na década de 1990, à medida que a neurociência contemplativa nascia e pesquisadores começavam a olhar para o cérebro durante a meditação, eles descobriram como os circuitos no córtex pré-frontal gerenciam nossa atenção voluntária. Essa área atualmente tornou-se o hotspot cerebral para a pesquisa de meditação; qualquer aspecto da atenção envolve o córtex pré-frontal de algum modo. Seguindo a citação dos mesmos autores: “Mas um cético talvez pergunte: é a prática da meditação que intensifica a atenção ou algum outro fator? É por esse motivo, sem dúvida, que grupos de controle se fazem necessários. E demonstrar de forma ainda mais convincente que a ligação entre a meditação e a atenção sustentada não é mera associação, mas antes causal, exige um estudo longitudinal. Esse parâmetro mais elevado foi atingido pelo estudo de Clifford Saron e Alan Wallace, em que os voluntários participaram de um retiro para meditação de três meses, com Wallace como professor. Eles praticaram o foco na respiração cinco horas por dia e Saron os submetia a um teste no início do retiro, um mês após o começo, depois de terminado e, por fim, cinco meses mais tarde. Os meditadores melhoraram em vigilância, com os maiores ganhos no primeiro mês de retiro. Cinco meses após o término do retiro, cada meditador fez um teste de acompanhamento para a vigilância e, notavelmente, as melhorias conquistadas durante o retiro continuavam fortes. Sem dúvida o ganho devia ser conservado graças às horas de prática diária que esses meditadores relatavam. Mesmo assim, esse experimento está entre os melhores testes diretos de um traço alterado induzido por meditação de que dispomos.

Retomando a ideia de perguntas que poderiam nortear uma diferente prática epistémica de investigação das fenomenologias experienciadas, consequentes às práticas de meditação como alteração na atenção assim como nas repercussões fisiológicas no que diz respeito ao funcionamento da amígdala e aos circuitos pré-frontais ao meditarmos, temos em primeiro plano, a proposta das neurociências de investigar as repercussões da meditação através de mecanismos causais de encontrarmos os vestígios que comprovem ou não se de fato alguma repercussão ocorreu e a partir dessas repercussões, temos o crivo para dizer o que é fato (verdade) ou não, porém, quando partimos de uma experiência aonde não encontramos vestígios nenhum de alteração, ou seja, não temos provas materiais, a resposta óbvia a essa situação é que então não houve um fato observado, portanto, estamos diante de uma não prova, nesse sentido, dentro de um método epistémico alicerçado na premissa de demonstrações causais (causa-efeito), isso já é o suficiente para aferirmos que estamos diante de uma situação que não nos revela nenhuma verdade, nenhum fato, nenhuma prova.

Porém, quero chamar atenção que em muitas das experiências que vivenciamos e sentimos em nossa própria prática introspectiva das quais podemos até falar detalhadamente sobre elas, sejam nossas sensações, percepções, nosso imaginário, as repercussões daquilo em nossa mente trazendo uma riqueza de informações que enquanto dentro de nós apresenta-se como um mundo vívido de detalhes e informações passíveis de serem investigadas por nós mesmos, externamente porém, na codificação de nossos aparelhos de medida, muita das vezes nada que não seja previsto se apresenta nas medições constatadas pelos nossos instrumentos. Atente-se que estamos diante de uma contradição, aonde muitas vezes um mundo interno, fértil de acontecimentos subjetivos e humanos estão acontecendo, ao mesmo tempo que um mundo externo aonde através de seus parâmetros instrumentais, não capta-se nem uma pequena porcentagem do que está acontecendo com aqueles que se colocam em seu laboratório de práticas introspectivas, contemplando os fenômenos mentais que se experimenta durante a prática introspectiva. Precisamos investigar para além das máquinas de captação, como eletroencefalogramas (EEG) e todos os mecanismos tecnológicos de imagem computadorizada! precisamos nas pesquisas que utilizam-se da introspecção e de seus métodos como instrumentos de nossa investigação, utilizarmo-nos também das “tecnologias humanas” como a linguagem, aonde o sujeito fala de suas experiências através da sua própria investigação “in loco” do que ele vivenciou internamente, é a perspectiva de o Iogue se tornar o próprio elétron de Weill. Explorar a linguagem que nascerá a partir do silêncio introspectivo da meditação e fazermos um bom estudo de colheita de dados, similaridades e mesmo checar estas similaridades e suas distinções com a abrangente literatura existente, é um forma de averiguarmos fenômenos comuns e universais que podem acontecer diante destas práticas. Nas pesquisas de experiência de quase morte (EQM) assim como nas pesquisas de experiências fora do corpo e de estados alterados de consciência, vemos essa tentativa de abordagem epistémica sendo construída a partir da base de relatos dos experimentadores (sejam no caso aqui, das pessoas que praticaram determinados métodos introspectivos de meditação, sejam por pessoas que passaram por experiências de quase morte, sejam por pessoas que de alguma maneira, vivenciaram estados alterados de consciência) fazendo com que estes relatos, tornem-se a nossa base de dados para que comparemos entre si e com a literatura relacionada ao assunto.

Para fazermos pesquisas criteriosas tendo como pilares, a linguagem e a colheita de dados a partir das experiências vivenciadas, é importante ficar claro, a não negligência dos recursos tecnológicos disponíveis, assim como os dados materiais identificados durante os experimentos, assim como uma rigorosa construção metodológica de grupos controle evitando toda e qualquer forma de construção de conhecimento a priori que induza aos resultados subjetivos dos sujeitos, embora, em alguns contextos teremos essa dificuldade enquanto um desafio em determinadas etapas do processo no que diz respeito a colheita de dados vivenciados. Vou exemplificar uma proposta:

Imaginemos hipoteticamente que queremos averiguar se as repercussões energéticas relatadas pela literatura Iogue como por exemplo o da percepção e sensibilização dos chakras (centros sutis energéticos) a partir da prática de determinados asanas, pranayamas e meditação, passam de fato a serem percebidos pelo praticante Iogue como uma incontestável experiência pessoal de que somos portadores de uma anatomia sutil! Imaginemos então, criar um método aonde nesse, terão todas as práticas Iogues que segundo sua literatura produzam tais fenômenos sutis fazendo com que sejam percebidos, porém, o grupo A que receberá essas instruções, não terá informações ou mesmo será orientado sobre as repercussões energéticas-sensoriais ao praticar tais técnicas, assim, como rigorosamente terá como pré-requisito que os participantes do grupo A, não tenham nenhum conhecimento precedente sobre os chakras e as energias sutis que são ativadas a partir desse conjunto de práticas que eles farão. Enquanto isso, teremos um grupo B controle, do qual fará também uma série de práticas de ordem física como ginásticas e outras orientações de sensibilização com relação ao corpo, como a prática de relaxamentos, porém, em aspecto algum serão práticas semelhantes às que o grupo A fará. Após estabelecido o tempo de duração do experimento de acordo com a literatura pré-existente sobre as repercussões energéticas como a percepção e sensibilização quanto aos chakras, teremos os seguintes pontos a serem ponderados:

              1-O grupo A, de fato sem o conhecimento prévio, vivenciara em seus relatos, experiências que indiciem a percepção dos chakras e dos sistemas sutis de energias (nadis ou meridianos energéticos)?

Observação: As perguntas que checam tais fenômenos não podem ser indutoras no sentido de manipular o discurso em direção ao conhecimento que se averigua.

2- As percepções das pessoas do grupo A são semelhantes entre si? Se sim, quais as semelhanças? Se não, quais foram as distinções? Algo vivenciado, foi semelhante ao conhecimento da literatura pré-existente sobre o assunto “sensibilidade dos chakras e dos sistemas energéticos através da prática de asanas, pranayamas e meditação?

3- As pessoas do grupo B, também tiverem percepções e sensações que vão ao encontro do conhecimento pré-existente na literatura Iogue, mesmo usando outras práticas com objetivos distintos aos dos métodos Iogues?

              4- Houve semelhanças entre as percepção, sensações e vivências entre os participantes dos grupos A e B? Se sim quais foram? Se não, quais foram as distinções?

              5- Entre os integrantes do grupo A, que tiveram experiências internas semelhantes às da literatura, existem elementos vivenciados entre esses que os distingue? Se sim, quais foram eles?

              6- Entre os integrantes do grupo A que se aproximaram das sensações e vivências relatadas pela literatura pré-existente, houve alguma forma que os distinguiam em sua maneira de praticar a metodologia ensinada? Se sim, o que realizaram de diferente?

Muitas outras perguntas poderiam ser desenvolvidas a partir dessa base investigativa de método-experimental, tendo para além da investigação dos resultados fisiológicos materiais, os resultados e repercussões internas, subjetivas que acontecem com os sujeitos a partir do momento que se colocam como o próprio laboratório de investigação de determinados métodos e práticas para aferirem a veracidade desses ou não. Poderia tornar mais exaustiva essa discussão, porém, nesse momento, vou deixar para que discutamos com mais profundidade sobre esse assunto no capítulo mais adiante sobre: “A proposta de uma metodologia científica da introspecção”.

@professormichelalves


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