A introspecção Iogue como novas perspectivas para à investigação científica
Nossa jornada
investigativa do mundo, partiu daquilo que vinha aos nossos sentidos
Na
maioria esmagadora das empreitadas no ocidente em se investigar seus objetos de
pesquisa, nossos cientistas, tomaram como caminho à investigação com base no
externo, ou seja, na experiência objetiva, operando através de suas mentes
(intelectualidade), racionalizando e conceituando os fenômenos da vida seja ela
material, psicológica, mental. A partir de um ponto de investigação exterior,
raras e excedentes foram os esforços de se utilizar a introspecção como
possibilidade ou forma de se investigar os fenômenos internos da mente, do
psiquismo da consciência e até mesmo usar a introspecção como uma forma para se
investigar fenômenos externos percebidos através de nossa senso-percepção. O
autor Alan Wallace especialista
em Budismo Tibetano aonde aborda a investigação científica, filosófica e contemplativa
orientais e ocidentais diz em seus comentários sobre o texto-Raiz “A iluminação
da sabedoria primordial” de Dudjom Riponche que: “Os materialistas se perguntam: O que acontece com a consciência após a
morte? Não é possível ver nada, o cadáver não faz nada, não apresenta nenhum
tipo de comportamento, o cérebro está inerte, e portanto, a consciência não
existe. Isso é inteligente? Você não consegue detectar a consciência nem mesmo
quando a pessoa está viva! E agora que você não consegue detectá-la quando a
pessoa está morta, você diz que ela não existe? Isso é estúpido! Isso não
merece refutação, merece uma gargalhada! Se você não encontra, esforce-se
mais!”. O sentido de esforçar-se aqui para o autor, está querendo nos dizer
no sentido da auto investigação da consciência através da própria prática
meditativa. Nesse perspectiva o sujeito se torna o próprio observador e objeto
a ser observado, ou seja, é a pesquisa de nós mesmos.
Pessoalmente, acho que tal caminho tomado “o do pesquisar os fenômenos objetivos” foi o caminho mais natural pelo fato de nossas experiências sensoriais serem a forma mais óbvia da qual somos impactados de aferirmos a realidade que nos anuncia através de nossos aparelhos da senso-percepção.
Mas afinal, teria alguma outra
forma de se investigar a psique?
Assim
como já se conflitou a visão teocrática do transcedente nas religiões, aonde
através do renascimento vai se consolidando uma visão imanente e racional da
vida, gradualmente numa forma cada vez tendo mais como bases fundamentais a
razão e o método científico de se analisar os fenômenos naturais, ou seja, a
ciência natural, aquilo que é observado, medido e passível de reprodução.
Porém, em nosso tempo, a ciência e a formas laboratoriais, experimentais e estatísticas
de se produzir ciência, veem sofrendo novos acréscimos como por exemplo, se
pensarmos na possibilidade que a mente do observador poderia de alguma forma “misteriosa
ou leis que desconhecemos ainda a sua mecânica” influenciar o objeto que está
sendo observado como vemos nas pesquisas relacionadas ao enigma quântico da
dualidade onda-partícula de acordo com a observação ou não de um sujeito, ou também
poderíamos pensar em pesquisas como às dos fótons e cérebros correlacionados
por não localidade quântica, pesquisas e fatos científicos esses que trazem
profundas reflexões nos parâmetros que criamos para se analisar fenômenos
externos da matéria (natureza).
No
campos das pesquisas nas áreas humanas e especificamente da psique, a utilização
da introspeção meditativa como uma forma de investigação dos nossos comportamentos,
do inconsciente, do conteúdo do nosso amplo espectro de consciência como:
pensamentos, sentimentos, emoções, imagens mentais, memórias, estados alterados
de consciência entre outros aspectos, tudo isso passa a ser investigado não só
de um ponto de vista objetivo como na área das neurociências, mas também de um
ponto de vista interno através das práticas meditativas, ou seja, os esforços
de trazer a introspecção para a pesquisa científica já se iniciou desde o
século passado, porém, ainda estamos no início desses esforços.
Mesmo
na própria psicologia o psicanalista Bleger, quando vai dimensionar a
psicologia enquanto ciência, esse diz que ela não pode estar restrita ao mesmo
modelo das ciências naturais, pelo fato de analisarmos seres humanos e não
objetos, nesse sentido, uma ciência ou prática psiquiátrica, psicológica que
têm como “objeto” de pesquisa o próprio ser humano, esta deveria ter como
premissa, o fato de que o estudo do ser humano é atravessado pelo simbólico,
pelo subjetividade como condição intrínseca ao sujeito e a intersubjetividade
entre analista e analisado uma dimensão subjacente ao processo de investigação
no campo da psique, o que nos confere o entendimento de pensar, que colocarmos
o saber científico pragmático e objetivo para o sujeito humano, é entendermos
que esse não se encontra limitado a uma ordem estritamente objetiva e materialista,
pois a nossa natureza como um todo não está limitada apenas a isso. Isso nos
faz pensar que qualquer método ou abordagem científica que não levem em
consideração o subjetivo e o simbólico em suas premissas investigativas, seria
o mesmo que entendermos que partimos de uma perspectiva incompleta e limitada.
Por
outro lado, pensando na introspecção meditativa como uma forma de investigação
científica, quero salientar aqui, que estou preferindo usar a palavra interno
ao invés de subjetivo, pelo fato de que se pensarmos em termos de uma auto
investigação subjetiva, partimos de um ponto aonde essa não é passível de ser
reprodutível ou atribuir-lhe um caráter objeto, ou seja, testado e reprodutivo
como um fato científico do ponto de vista das ciências naturais, porém, interno
aqui, parto do argumento que ao fazermos uma auto investigação através de
métodos introspectivos meditativos, é passível com a prática, construir
conhecimentos sólidos sobre aspectos no que tange a auto-investigação que o
sujeito realiza de si próprio e que a partir desse lugar interno, se descubram
informações que são comuns e universais a todos nós, assim como descobrimos
leis naturais que hoje nos utilizamos destas através de tecnologias, pode
parecer contraditório, mas é como se no processo de se investigar fatos
científicos a partir da introspecção meditativa, inicialmente teríamos que
levar em consideração que tal forma de investigação por ser ampla e abrangente,
ela necessita que consideremos a subjetividade e o simbólico que perpassam os
sujeitos em um primeiro momento, ao mesmo tempo que a partir disso, entremos em
contato com fatos científicos tão objetivos como acontece nas investigações
pragmáticas pelas ciências naturais.
Um
exemplo que gosto de mostrar, é pensar em uma pessoa que comece a meditar,
sendo que inicialmente em seu processo de auto investigação ela entrará em
contato com coisas que são muito pessoais e intransferíveis ou irreprodutíveis
para ela naquele momento, o que lhe confere um caráter de uma experiência na
esfera do espectro subjetivo e simbólico, porém, com o tempo e prática, ela descobrirá
coisas a respeito de si, do ser humano, da mente e da consciência que são tão
objetivos e claros, que será capaz de explicá-los e fazer com que os outros os
reproduzam assim como os cientistas que testam experimentos de outros
pesquisadores em seus laboratórios chegam as mesmas conclusões que os
propositores daquele determinado experimento.
Nesse
sentido, vou tomar a liberdade de me referir aos Iogues, sejam estes ligados às
tradições Budistas, Induístas ou Taoístas como “cientistas da consciência” pois
até onde as minhas investigações internas e externas tangenciaram no dia de hoje,
não encontrei “nem de longe” nenhum escrito das grandes mentes da psique no
ocidente como: Freud, Lacan, Jung, Pierls, Reich, Skinner entre outros, que
foram a lugares tão profundos quanto a investigação da consciência humana como
os mestres realizados do oriente a que me referenciei anteriormente, porém, que
fique claro que esse é um ponto de vista pessoal.
Costumo
pensar que quando balizamos os nossos comportamentos, o nosso estado orgânico,
nosso inconsciente, a linguagem verbalizada tecendo o entendimento que temos
das coisas e de nós próprios, mesmo que parecendo muito amplo isso tudo, ainda
sim, não passam de apenas uma parte da fatia do espectro da realidade potencial
que nos cerca. Nenhuma forma de construção do conhecimento é completa por si e
como tal deixa de comtemplar outras possibilidades de se olhar a realidade e
como consequência deixa-se de perceber outras formas e visões de se investigar
e experimentar a constatação de fatos que nos rodeia. Nesse sentido trazendo
então uma outra possibilidade e método científico para se investigar
principalmente o que tange as ciências humanas percebo que a “introspecção
meditativa” ou uma forma de investigação científica tendo como método o uso da
contemplação, ainda não é utilizado como parte do nosso instrumental de protocolos
ou “modus operandi” para se fazer ciência ou pelo o menos, foi adotado em
excetas situações experimentais para se constatar os fatos científicos.
A
introspecção meditativa ou uma forma contemplativa empregada como método
científico na realidade não é uma boa nova, pois sabemos historicamente que
antes do método científico a prática científica já teve os métodos
contemplativos como formas de aferir a realidade, porém, talvez para alguns que
leem esse artigo, poderiam estar se perguntando: “Essas reflexões e argumentos
tecidos acima, sobre o resgate de uma forma de se fazer ciência através de
métodos que usam em suas bases instrumentais e metodológicas a contemplação ou
meditação, não estaríamos aqui nesse momento, tomando uma decisão retrógrada e
correndo o risco de novamente optar por práticas que vão ao desencontro da
razão, do método científico e de uma prática que toma como aferição da
realidade fatos comprovados e reprodutíveis, trocando esses novamente por crenças
irracionais, irreprodutíveis e dogmáticas?”
Esses
são importantes e necessários questionamentos e se realmente o movimento de
“resgate” dos métodos contemplativos como formas de se fazer ciência, fossem
providos das mesmas ignorâncias praticadas no passado, estaríamos com certeza
cometendo um sério erro e de fato, colocando em risco de perdermos conquistas
da descoberta científica, por práticas negacionistas como estamos assistindo
nesse momento através de teoria de terraplanistas, grupos com tendências
autocráticas e etc. Mas ainda respondendo a esse dilema, hoje, entendo que o
ponto crucial para essa questão, é ampliarmos um pouco mais, para as grandes
dificuldades históricas de consenso entre às investigações físicas com a investigações
da metafísica, e para compreendermos interseções possíveis e mais adequadas
para esse dilema histórico, eu diria que encontraríamos respostas através dos
achados dos Iogues orientais e toda sua epistemologia de investigação da vida a
partir da auto-investigação interna que estes construíram durante milhares de
anos e que em nossa história ocidental não tínhamos acesso a esses “tesouros
raros” vindos do oriente, em outras palavras, se aprofundarmos nos métodos
desses Iogues, iremos ver que esses são de uma minucia e meticulosidades no que
diz respeito à investigação da consciência humana que ouso dizer que ainda
desconhecemos aqui no ocidente, mas que por algum motivo, da década de 50 do
século XX para cá, nós ocidentais estamos sendo agraciados com essa
oportunidade que está acontecendo entre as pontes que estão sendo erguidas
entre as epistemologias orientais e ocidentais.
Os “cientistas Iogues” através
da introspecção meditativa fizeram sua jornada investigativa ao mundo interior
e a partir de uma visão interiorizada é que foram compreender o que se
manifestava diante de seus sentidos, advindos do mundo exterior.
Se
pensarmos no sentido da visão como algo além da esfera de um sentido físico,
podemos contemplar que a visão é um processo de construção do qual o sujeito
faz a partir da sua elaboração interna a partir das experiências externas,
então entendemos dentro de um ponto de vista das psicologias ocidentais, que a
realidade objetiva está constantemente influenciando ou moldando a realidade
subjetiva do sujeito e vice-versa. Porém, se pensarmos dentro de um ponto de
vista de uma epistemologia da auto-investigação meditativa Iogue, tece-se a
ideia ou uma premissa, que existe uma causa inerente ou poderíamos dizer de
forma reducionista, de uma “realidade interna” que não é tocada por essa
realidade externa que nos influencia. Para ampliar um pouco, essa dita
“realidade interna”, ela é intocável pela experiência externa no sentido de
influencia-la ou molda-la, é como se tivesse uma condição inerente ou parte
integrante de nossa natureza, a “consciência primordial” da qual entende-se que
não há acessamos por uma prática investigativa exterior e sim e somente por uma
prática de auto-investigação interna, em outras palavras, o instrumento ou o
objeto de pesquisa que temos para fazer isso, não são máquinas e sim, nós
mesmos. Esse não acesso a essa natureza inerente, primordial, é comumente
ofuscada, ou nublada como os orientais gostam de dizer, pela tagarelice de
nossas mentes e que com essa não prática e treinamento auto-investigativo, ficamos
perambulando de um lado para o outro, sempre respondendo aos estímulos
sensoriais internos como pensamentos, ideias, imagens, lembranças, memórias e
os estímulos sensoriais externos advindos dos nossos mecanismos da
senso-percepção, e por todos esses estímulos incessantes, não acessamos essa
natureza primordial que é anterior a toda forma de manifestação que
identificamos e podemos nomear.
A
fundamentação, ou a base que irá mover a prática dessas investigações Iogues,
partem de uma perspectiva ou de uma base epistemológica de compreender como nos
afastamos dessa nossa consciência primordial, de natureza inerente, não criada,
não nascida e nunca cessada, sempre presente. Nesse sentido, quando partimos de
uma perspectiva desse “algo” inerente que só pode ser acessado de um ponto
auto-investigativo ou um direcionar da nossa observação sobre um objetivo
interno e não externo, entendemos que essa maneira investigativa Iogue ela têm
a sua gênese em olhar para uma realidade interna e não externa. Costumo pensar
que diferente das ciências naturais que procuraram investigar os fenômenos
externos observáveis, os Iogues procuraram observar os fenômenos internos, mas
que também são passíveis de serem observados. Nesse sentido os cientistas Iogues
através da introspecção meditativa fizeram da sua própria jornada investigativa
do mundo interior primeiro e a partir dessa é que teceram suas percepções sobre
o mundo exterior ou o mundo das formas como a viam.
Quando
é dito nos textos budistas como o da “Prajna Paramita” a Perfeição da Sabedoria
o seguinte axioma: “Forma é vazio e vazio é forma”, podemos pensar que a partir
desse olhar interno que alcançou a visão da consciência primordial, não nascida
e não criada, esses sujeitos que conseguiriam relembrar e sustentar essa visão
natural e intrínseca, passaram a entender que as formas como a vemos elas não
só são impermanentes ou transitórias como elas não tem fixidez nenhuma, por
isso forma é vazio, porém, ao mesmo tempo, dessa possibilidade de liberdade de
manifestação dos fenômenos naturais, pois nada sendo fixo, todas as coisas em
si, tem a capacidade de manifestarem formas temporárias, no entanto, nada do
que podemos denominar como objeto é permanente e sendo assim, é composto por
natureza inerente por si mesmo.
Quando olhamos para essa axioma Budista:
“forma é vazio e vazio é forma”, podemos ver alguns paralelos com a mecânica
quântica aonde em seu campo de investigação da própria matéria ou seja, da
forma, começasse a compreender que a forma dos objetos que vemos, aonde quanto
mais vamos adentrando e investigando em direção ao interior da estrutura
atômica dos objetivos, cada vez mais, vai se entendendo que a natureza material
propriamente dita também não existe e sim partículas subatômicas cada vez
menores indo ao encontro de um estado não material inexorável, ou seja, o
vazio.
A
partir dessa prática auto investigativa Iogue do qual estes cientistas Iogues compreenderam
a natureza inerente que permeia todos os seres e todas as coisas, vamos dizer
que eles passam a entender e se relacionar com o “mundo das formas e objetivos”
a partir de uma perspectiva interna e não externalista como a prática pelas
ciências naturais, aonde entende o seu objeto de investigação como uma
realidade inerentemente externa e que têm natureza inerente a si mesmo, pois entendendo-se
como fato “realidade”, aquilo que vemos, tocamos, medimos e até certo ponto,
sentimos. Refletindo sobre isso, penso que temos aqui, duas perspectivas ou
fundamentações epistemológicas muito distintas para se investigar a vida e seus
fenômenos. De um lado, temos as ciências naturais que partem de um observação
externa que acredita na realidade do objeto que se investiga, fazendo com que
todo o impulso ou esforço criativo por essa base epistemológica nasça de uma
ação em transformar o mundo das formas em experiências e temos de um outro
lado, uma forma epistemológica e não menos científica ao meu ver que irá ter
como observador, a própria consciência do sujeito que se auto-investiga, ou
seja, nós além de sermos os observadores, nos tornamos também o próprio objeto
de observação.
A minha principal motivação aqui, não é refutar uma forma de se fazer ciência em detrimento de outra, pois como já falado antes, todas elas são válidas e tem as suas contribuições, porém, a questão na qual quero chamar a nossa atenção, é para a importância e o legado dessas ciências auto-investigativas Iogues, que através de práticas contemplativas e meditativas, tem muito para nos ensinar, não só em termos de se fazer e pensar em ciência, como também em termos de um conhecimento e uma sabedoria que nos ajudará a lidar com as nossas questões de ordem psíquica, humanas, sociais, históricas e espirituais.
Não deveríamos estar
negligenciando as introspecções Iogues em nossas formas de se olhar e fazer
ciência
A
grande discussão que quero trazer, não é questionar as práticas dos cientistas
em investigar a realidade dos comportamentos de quais fenômenos naturais forem,
seja através dos laboratórios, experimentos e estatísticas, quero chamar
atenção que enquanto métodos de se fazer ciência, não estamos nos utilizando de
um grande legado deixado pelos povos orientais que desenvolveram toda uma sistematização
de auto-investigação interior que ampliam a nossa compreensão sobre a natureza
de nossa mente, consciência e psiquismo, aonde esses não só revelam marcadores
claros de como estamos nos aprofundando nessa auto ciência ou auto-investigação
através da prática meditativa, como também salientam que estas práticas são de
fundamental importância para compreendermos a nós mesmos. Essa ponte quanto ao
uso da introspecção meditativa como parte do processo de investigação nas
ciências como um todo, mas principalmente nas ciências humanas, da psique, da
medicina e sociais, seria de suma importância para entendermos questões que
talvez estejamos sem possibilidades de respostas nesse momento.
As
ciências orientais, como limitadamente entendidas apenas como manifestações
religiosas alicerçadas em crenças sem a prerrogativa de serem passíveis de
questionamento e de serem investigadas, experimentadas e testadas, são
severamente mau compreendidas e interpretadas e por esse motivo, é lamentável
que ainda estejamos engatinhando em passos de tartaruga para unirmos o que há
de melhor nas descobertas investigativas do mundo exterior pela ciência
ocidental e nas descobertas investigativas do mundo interior pelas ciências
orientais. Precisamos ampliar algumas concessões para experimentarmos outros
métodos de se fazer constatações científicas como por exemplo o uso da
introspecção como parte integrante a um método de investigação científica, trazendo
uma perspectiva distinta sobre o se fazer ciência que talvez inicialmente seja
pouco compreensível para a forma ocidental de se fazer e entender como prática
e metodologia científica. A “Ciência Iogue” parte de uma premissa que o ato de
se conhecer a realidade externa, inicia pela ação “prática consciente” de se
conhecer a realidade interna. Em termos simples, o Iogue adota os elementos
simbólicos ou não objetivos da vida como uma de suas bases para se investigar
os fenômenos objetivos da vida.
O meu intuito não é aqui em hipótese nenhuma questionar que um fato científico comprovado o seu comportamento (a sua mecânica) em um laboratório ou em estatísticas experimentais, seja uma prática desprezível sem a sua validade enquanto ato, ação e método de se fazer ciência, se meus esforços fossem nessa direção eu não consultaria um fisioterapeuta, um médico ou me convenceria dos resultados e descobertas da ciência ocidental. Colhemos e continuaremos a colher esforços das mentes brilhantes que ajudaram a desenvolver conhecimentos que beneficiam toda a humanidade e todas as formas de vida, porém, a questão central aqui é:
Se a dimensão simbólica, subjetiva ou até mesmo sutil da vida, são parte
integrante do amplo espectro da natureza humana, porque estamos desconsiderando
essas outras formas de se olhar para a vida e de se fazer ciência e em
consequência disso, não poderíamos estar deixando de praticar determinadas ,
abordagens, conhecimentos ou possibilidades de investigação científica que
conseguiriam adentrar nessas realidades simbólicas (psíquicas, mentais e
espirituais) da dimensão do ser e que ainda não foram devidamente exploradas
por nossas medicina, sociologia e psicologias ocidentais?
@professormichelalves

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